
Existem tantas coisas e tantos momentos que não são simples o suficiente pra explicar em palavras. Às vezes a razão nos transforma em seres estranhos, confundindo nossa alma e levando o coração a conflitos sem fim. Quando isso ocorre, nos perdemos dos nossos objetivos e deixamos o sonho escapar por entre os dedos...
Muitos dos meus sonhos foram deixados pra trás, mas nem por isso, em momento algum, eu deixei de sonhar. Alguns foram abandonados, outros renovados e novos sonhos surgiram depois. Mas um deles apareceu por acaso, nem sei dizer de onde veio ou onde vai parar. É por esse motivo que te escrevo sem razão e deixo as palavras fluírem do meu íntimo mais secreto. Quem sabe com isso, tu possas dar uma chance, não apenas a mim, mas a ti, o direito de tentar ser feliz.
Os sentimentos assustam. Eu sei. O que impede alguém de tocar a felicidade, e abraçá-la, é o medo. Porque mesmo as coisas boas e novas são desconhecidas pra nós. Isso assusta. Aí, é bem mais fácil fechar os olhos e só abri-los novamente num lugar mais seguro (ou quase): dentro de nós. A casquinha frágil que nos cobre parece proteger, mas na verdade só omite parte daquilo que realmente somos.
De volta aos sonhos, hoje li algo que caiu sem querer nas minhas mãos. É a história de uma jovem inglesa que viveu no século passado. Seu nome é Elizabeth Barret Browning.
“Ela sofria de uma séria doença, provavelmente resultado de um ferimento na espinha. Devido a sua saúde debilitada, vivia reclusa, tornando-se cada vez mais introvertida. Depois da publicação de seu segundo livro, ela recebeu uma carta do poeta Robert Browning (ela considerava-o o máximo). Nesta carta lia-se: ‘Amo esses versos com todo o meu coração - e também a amo’. O namoro dos dois transcorreu em segredo, pois seu pai não queria que seus filhos casassem. Ela também relutava, não queria impor a nenhum homem a vida ao lado de uma mulher doente. Finalmente, ela decidiu aceitá-lo e, uma semana após a cerimônia, realizada as escondidas no dia 12 de setembro de 1846, os dois fugiram para a Itália, onde viveram por quinze anos momentos de felicidade.
Ela começou a escrever sonetos por aquela época (logo após a primeira carta dele). É provável que a maioria dos sonetos fosse dedicada a ele. São extremamente íntimos e expressa a melancolia de Elizabeth antes de Robert acontecer em sua vida; sua preocupação com as possíveis incompatibilidades; sua dúvida sobre o merecimento de tão profundo amor; sua hesitação sobre se seu amor estaria a altura do dele; e enfim, sua aceitação do amor ofertado.
O penúltimo soneto (eram quarenta e quatro ao todo), é um dos mais líricos, complementado pelo desfecho no qual oferece ao amado os seus poemas, na esperança de compensá-lo pelo amor que a ela dedicava “.
SONETO XLIII
Como hei de amar-te? Deixai-me dizer.
Eu te amarei com toda a dimensão
Que alcance minha alma se não ver-te
Até o fim do Ser e da Beleza.
Eu te amarei na calma da rotina
Da luz da vela ao sol de todo dia.
Ou como os homens lutam por direitos.
Ou puros como acatam elogios.
Eu te amarei assim desta paixão
Das velhas mágoas ou da fé de infância.
Eu te amarei do amor que achei perdido.
- Eu te amarei com lágrimas e risos
Por toda a minha vida. - E, Deus querendo,
Após a morte hei de amar-te mais ainda.
Poderia ter escrito isso com minhas próprias palavras mas não saberia dizê-lo tão bem quanto já foi dito. Sinto-me tão enferma quanto ela. Inválida por não tê-lo no meu coração.
De quem tenta te ajudar
dando-te todo o meu amor
JULIANA 28-05-98