Wednesday, August 31, 2005



Ele continua
A me escrever
Todos os dias.
Mesmo que eu nao possa ler,
Sei. Apenas sei.
Ele esta presente
No poente
Onde o sol dorme + tarde
Que aqui
Folhas em branco
Papéis ao vento
Tempestades
E’ sempre tarde
Mas ele volta.
Entao posso finalmente
Cair em seus braços
Desaguar meu pranto
Como louca rir de tudo
Abraçar o mundo
Enroscar minhas pernas nele.
Selvagem e doida
Quero o todo
Até a ultima gota.
O beijo é sem fim.
O coraçao, a flama
O corpo aceso
Rasgo o lençol com as unhas
Sou tua
Mulher.


Tiro deste tempo que tenho livre pra te escrever.
Te deixar minhas memorias.
Tua frieza me entristesse.
Prefiro teu odio a tua indiferença.
Meus dias passam lentos quando estou longe de ti.
Nao tenho recursos que me façam passar por isso sem dor.
Essa minha amiga que nao me deixa so.
Ela ocupa meus dias e partilha minhas lagrimas.
Essa mesma dor que me faz crescer.
Continuo a procurar minhas respostas e o sentido de tudo isso.
Tento nao sofrer no teu silencio.
No eco que repete todo o tempo o teu nome.

Tuesday, August 30, 2005



De-me um sorriso
Pra que eu possa acreditar
Que um dia melhor esta por vir.

De-me a chance de pensar
Um pouco em mim mesma.

De-me passos + lentos
Pra que eu possa segui-lo

De-me um dia de luz
Pra que eu possa sorrir.

De-me a verdade
Mesmo que dolorida
Pra que eu possa ver pra onde ir.

E mesmo que a chuva venha,
Seguirei meu caminho

Um mundo feliz nos espera
Nos inspira.

Se a vida fosse so uma
Nao viveriamos assim
Mas a certeza do amanha
Nos faz seguir a diante
O sol sempre nasce
E o espirito renasce.

De-me tuas maos
E juntos encontraremos
O lugar de nos dois.

Marley



Hoje entrei naquela livraria grande do Bourbon.

O cheiro dos livros novos sao como as historias ainda nao vividas, daquelas pelas quais tanto esperamos chegar.
Como presente fechado em vespera de Natal.
Como bolo quentinho ainda dentro do forno esperando pra esfriar.
E os livros antigos, respeito o cheiro deles.
Sao aqueles senhores sabios, cheios de rugas e cada uma delas com uma historia pra contar.

Meu amor sempre foi, e sempre sera Marley
um nome tatuado no braço esquerdo.

Monday, August 29, 2005

Deixe-me Entrar



Por que voce trancou a porta ?
Onde voce escondeu a chave ?
Por que todo esse silencio la dentro ?
Responda.
Por favor, deixe-me entrar.

Abra pra mim.
Deixe-me ve-lo de novo.
Tocar os teus olhos
Segurar os teus braços
Entrar na tua vida.
Por favor, deixe-me entrar.

Faz muito frio aqui fora
O tempo gelado
A neve no rosto.
O vento cortando meus labios.
Deixe-me entrar, por favor.

Sera que voce é mesmo insensivel ao meu sofrimento?
Onde esta a tua coragem ?
Onde estao as tuas armas pra lutar contra a solidao.
Por favor, deixe-me entrar.

Minhas lagrimas ja secaram
Meu pranto é mudo
Minhas unhas todas ruidas.
Por favor, deixe-me entrar.

Talvez voce ouça pela ultima vez a minha voz.
Os meus olhos cicatrizaram
O meu peito pulsa o teu nome.
Por favor, deixe-me entrar.

Esse vazio me assusta
Teu silencio
Teu olhar cheio de odio.
Por que, meu Deus ?
Por que ele nao me deixa entrar ?
Onde esta a chave deste cofre ?
Onde esta o segredo ?
Onde estarao os meus sonhos
Se ele nao me deixar entrar.
Por favor, abra a porta.
Deixe-me entrar.
Deixe-me voltar pro lugar
De onde eu nunca poderia ter saido.
Deixe–me entrar de novo no teu coraçao.


Resolvi fazer uma analise (auto-analise) do sentimento causado pela ausencia de noticias tuas. Quero entender exatamente o que sinto cada vez que abro a minha caixa de mensagens e nao encontro nada teu dentro.

A primeira vista sinto tristeza que vem seguida de uma decepçao.
Sera que ele nao se interessa + por mim ?

Ai vem um desconforto que me leva a vontade de te ignorar completamente. Quero despreza-lo, esquecer que voce existe. Apagar todas as mensagens. Deleta-lo da minha memoria.

Todos esses sentimentos passam um apos outro instantaneamente na minha cabeça.

E acabo por concluir que este abalo todo so tem um nome:

Saudade.

Sunday, August 28, 2005



De toda poesia que te deixo como herança
Resta nela verdade das minhas vidas
Escritas com as letras do teu nome.
Um sorriso cego
Como a vaidade que me consumiu tantas vezes.
Um aparelho de medir sentimentos
Do qual nao tenho o manual de instruçoes.
Entao sigo sozinha
Por esse caminho apressado
Por essas ruas escuras
Esses beijos no rosto
O final da historia ja foi escrito
O que nos resta agora?
Esperar e sonhar
O que tiver de melhor
Vira
Talvez.


Quando o despertador tocou, às 8h15, mal abri meus olhos pra desliga-lo.Tive uma noite de sonhos iluminados : lojas de lampadas, luminarias, material fotografico. Um taxi.

Antes mesmo de me levantar, penultimo dia de trabalho, fico pensando como vou me vestir. Na verdade, este trabalho me faz sentir + como um manequim de vitrine do que uma vendedora. Entao crio em minha mente, meu guarda-roupa imaginario, o que vou vestir hoje. Dia cinza la fora, roupas escuras aqui dentro.

Levanto da cama. Mas nao antes de uma boa espreguiçada. As gatas, ja prontas pro café da manha, correm pra cozinha, a postos do lado dos pratinhos. Saio do quarto e pego a direçao oposta. Acendo a luz da sala de banho. Meu rosto no espelho, meio dormindo, meio acordado. A boca seca depois de uma noite inteira de calefaçao ligada. Lavo meu rosto. Minha boca, meus olhos. Pele umida. Toalha rosa macia. Visto meu roupao « kimono », branco com listas azuis-escuras. Direçao : cozinha.

Dois gatos agora histéricos se enroscam nas minhas pernas e pedem comida. Ignoro. Cereal e leite de soja pra mim. Royal Canin Light pras gatas + tarde.

Nunca abro mao do prazer de todas as manhas. Estar sentada no sofa de couro preto, gelado nestes dias de outono. Degustar meu café da manha tranquilamente, ainda naquele estado intermediario entre sonho e realidade.

A hora passa depressa. Com que roupa eu vou ? Questao + futil, impossivel. Mesmo assim preciso me decidir.

Começo de baixo pra cima. Minhas botas pretas. Aquelas justas que vao até o joelho. Sera que te lembra de alguma coisa ? Pensei que voce gostasse delas.

Como transformar um dia cinzento num dia divertido. Comecei pelas botas longas. Uma meia em tricot preta, cheia de furinhos que mostram a pele branca. Uma saia curta de tecido esvoaçante. Uma camiseta divertida preta com desenho de esqueleto de sapo em verde florescente. Um casaquinho de la bege comportado. E o toque final : uma faixa em croche rosa em volta do pescoço. Bem apertada. Quase uma coleira. E voilà o sado-chic de quarta-feira.

Acrescente a isso um stand de luminarias : um aquario sem peixinhos dourados. Bolinhas de acrilico transparente imitando cristal. E no meio do sonho de Alice, eu e minha cadeira alta.

Nada pra fazer. Imaginaçao. Fantasia. Um cabaret de Paris. Musica francesa. Uma voz feminina quente que canta. Os clientes que passam. Me escondo nao escondo. O tempo nao passa.

Abro um livro e esqueço onde estou.

Saturday, August 27, 2005



Controlo os pensamentos.
Pelo menos tento controla-los.
Jogar fora as lembranças
Desviar meu olhar pra outros olhares.
Me entregar noutros braços
Beijar bocas que nao a tua.
Suspirar…
Tenho grandes brincos nas orelhas
E pulseiras cobrem meus pulsos
Sao as amarras de que nao me liberto
Sao os dias que se arrastam como pesadas correntes.
Lavo minhas roupas pra tirar tuas marcas
Lavo meu corpo pra esquecer o teu nome.


Quinta à noite, e eu dentro do metro. Frio, vento gelado e o meu gorro de la peruano. Sao 22h30 e volto pra casa, depois de ter posado por 2h no atelier do Monsieur Dupré. Começo a filosofar e discutir com as minhas luvas sem dedos :
- Que vida é essa que eu levo hoje ? O que tenho feito dela?

Ontem, depois de posar na escola da Rue d’Ulm, fui pra Yoga. Tres longos anos de curso e tao poucas palavras trocadas com Monsieur Vallade. Homem de seus 50 e poucos anos, careca no topo da cabeça e cabeludo em volta. Me faz pensar aquelas perucas de palhaço. Ele sempre entra na sala caminhando mas tenho a impressao de que ele flutua. Calmo, sempre vestido em bege ou creme. Zen como um professor de yoga.

Sinto no final da aula uma vontade irresistivel de conversar com ele. Mas pra dizer o que? Começo falando da minha ultima sessao de acupunctura e da dor que sinto no ombro esquerdo. Meu médico vietnamina de nome impronunciavel faz bem o seu trabalho. O problema so pode ter sido quando me mexi e senti uma das agulhas fincada nas minhas costas. Acho que fiz um movimento muito brusco. Também, eu estava + preocupada com as agulhas que ele tinha aplicado no topo da cabeça.

Monsieur Vallade nao soube me indicar um terapeuta que faça regressao a vidas passadas. Mas disse que poderia ajudar fazendo meu mapa astral. Eu agradeci pela possivel interpretaçao mas o que eu procuro é + profundo. Ele pergunta meu signo. Gemeos com ascendente em escorpiao, respondo. Ele fixa os olhos no espaço vazio e começa a falar da minha personalidade. Aproveita pra dizer que as pessoas, depois de se consultarem com ele, mudam a maneira de agir e pensar. Ele diz ainda que venho de um planeta florido.

Onde seria esse lugar encantado ?

Thursday, August 25, 2005



Continuo a queimar meu corpo
Na esperança que minha memoria desbote ao ponto de esquece-lo.
Vejo relogios e pendulos gritando que o tempo passa e o coraçao fica.
Minha alma é vazia longe da tua.
Onde estao os teus beijos.
Tem uma boca que te procura e nao te encontra em outros labios.
Quero atravessar o crespo do teu cabelo com a ponta dos meus dedos
Vontade de ti
Que me queima por dentro
Que arde meu corpo
Que liberta meu espirito.
Desejo forte de estar contigo
Sem me preocupar se o telefone vai tocar ou nao.
Nao quero desculpas
Nem ½ verdades
Quero a tua saliva na minha carne
Tua transpiraçao lavando meu corpo
E esse mesmo corpo,
Agora vazio,
Espera por ti, pra ti,
Por nenhum outro.


Quarta-feira.

Inicio de tarde. Sempre a linha 14.

Sentada na parte dianteira do trem, distante em meus pensamentos. Noto apos as primeiras paradas uma jovem morena. Um livro na mao : O Livro dos Espiritos. Nao resisto e pergunto se ela é também espirita. Diz que fazem apenas 3 meses que começou a estudar. Falo do centro em Saint Mande. Peço desculpas e como sei que frances nao gosta de ser interrompido em plena leitura, deixo ela em paz.

Sexta-feira.

Mesmo metro, mesmo horario. Antes que as portas se abram vejo a mesmo moça se aproximar do trem. Ela sorri. Diz bom dia. Hoje ela nao podera sentar. Metro cheio. Turistas. Todos querem pegar o melhor lugar pra olhar os trilhos. Trem sem maquinista. O + moderno de Paris. A moça em pé, um pouco + atras.

Antes que chegue na estaçao, (uma antes da minha), ela se aproxima. Diz que encontrouu na internet o centro de que lhe falei. Diz que hoje nao podera ir la. Trabalha até às 21h e sabe que as reunioes sao das 20h às 22h. Escrevo meu nome e telefone num pedaço de papel. Ela agradece e desce do metro.

Quem sabe na semana que vem ela ira ?

Wednesday, August 24, 2005



Conta comigo
Os dias
As horas
O tempo que passa lento.

Conta comigo
Pros dias de chuva
Pras noites de tempestade
Pro sol e pro luar.

Conta comigo
Pros minutos passarem + devagar ao teu lado
Pro nosso momento chegar logo.

Conta comigo
Pra secar os teus olhos
Ouvir teus lamentos
Te embalar em meus braços

Conta comigo
Pra partilhar teu riso
E também tua dor

Conta comigo
Pra que o frio nao te toque
Que eu te pegue no colo
Meu gatinho abandonado.

Conta comigo
Sempre que te sentires perdido
Assustado
Carente.

Conta comigo
Pra partilhar teus segredos
E sonhos
Teus desejos secretos.

E conta comigo
Quando precisar de um amigo
Quiseres o silencio
A compreensao de um olhar.

Conta comigo sempre
Pra ama-lo
Respeita-lo
Pra partilhar todo o meu amor por ti.


Paris é um paraiso pros pombos no verao. Pouco trafego, muitos turistas.

Sem carros nas ruas, os pombos aproveitam pra caminhar despreocupados. Se imaginam grandes, importantes. Talvez pensem que podem passar por cima das pessoas, o que sempre acontece com eles.

Ja os turistas trazem as riquezas de Paris : migalhas de sanduiches que caem pelas calçadas, bebes distraidos que derrubam doces pelo chao.

Hora do buffet livre. E como pombo nao é bobo nao, faz pose de ave parisiense e se aproxima do turista fatigado, olha com cara de fome e ganha.

Quase sempre.

Tuesday, August 23, 2005



As vezes a noite me pega desprevenida
Estou pensando no teu corpo.
Acordo sem folego de sonhos molhados.
Transpiro teu nome.
As vezes a noite me conta segredos.
Revela teus desejos secretos.
Exulto de prazer ao descobri-los.
As vezes a noite chama meu nome baixinho.
E me pede pra acompanha-la.
Sigo silenciosa e atenta
Voo por cima dos muros e telhados de Paris.
As vezes a noite me diz pra ter calma e esperar.
Entao sento na cama e aguardo.
Ela volta com as maos carregadas de estrelas.
Me faz um colar.
Ganho brincos que sao dois pequeninos cometas.
As vezes a noite me empresta Saturno.
E meus dedos das maos e dos pés estao cheios de anéis.
Danço com o vento fresco da madrugada.
Meu salao de baile é o espaço azul escuro.
As vezes a noite me faz surpresas.
E convida Marte a nos acompanhar.
Vamos de maos dadas até o teu quarto.
So pra te ver dormir.
Ai me ajoelho do teu lado.
Velo teu sono.
Sopro suspiros de amor no teu ouvido.
Que sono profundo.
Quando Venus chega e me ve deitada aos teus pés
Vem rapido me abraçar com carinho.
Tenta me consolar.
Minhas lagrimas correm soltas.
A noite entao vem ao meu socorro.
Trazendo Mercurio pra curar minhas feridas.

O Taxi



Ela era um tipo comum, daquelas que passa despercebida pela rua. Talvez um engraçadinho até arriscasse um elogio. O brilho dos olhos verdes, a pele macia e a textura suave dos cabelos, só poderiam ser sentidas por um toque. A tranqüilidade era visível, passos firmes, mãos longas, curvas suaves e quase sutis.
Todos os dias de manhã ela repetia o mesmo caminho, tinha sempre o mesmo jeito, atravessava a rua, passava a mão nos cabelos, via o seu reflexo na vitrine de uma loja e seguia em frente.
O que ela fazia todo santo dia no correio, faça chuva ou sol, ninguém poderia imaginar. Mas a cena se repetia: pegava um envelope, tirava uma carta de dentro, passava nos lábios um batom rosa, quase imperceptível, beijava a folha de papel, guardava a carta no envelope, colava, selava, entregava a carta no balcão. Ao mesmo tempo em que intrigava, seus atos também irritavam. A cor do vestido mudava de um dia para outro, mas nunca a cor do batom.
E por meses e anos eu a seguia com os olhos, tentando imaginar o significado daquele ritual diário.
Foi numa terça-feira, como de costume a cena parecia se repetir. Desta vez ela saiu do correio, mas seguiu outro caminho. Com os passos firmes, saltos médios, vestido na altura do joelho, ela veio na minha direção. O resto de batom rosa continuava nos lábios, o jeito de mexer no cabelo, os dedos longos, e finalmente o brilho nos olhos. Pude perceber a pele macia, o rosto delicado, o perfume do corpo. Consegui ouvir sua voz pela primeira vez:
“ Pra estação, por favor.”
Ela entrou no meu carro, de onde tantas vezes eu a observava. Pensei que ela houvesse descoberto meus pensamentos. Será?
Segui tremulo até a estação. Minhas mãos suavam, meus joelhos tremiam, minha pulsação aumentava, a cabeça girando, quase não consegui dirigir. E ela no banco de trás, pernas cruzadas, soberana, digna, suave e cheirosa. Não ousei olhar pelo espelho retrovisor.
Tive vontade de dizer tantas coisas, perguntar o seu nome, o nome do perfume, o número do sapato, do telefone. Não consegui. Só saiu da minha boca, parecendo um pedido de socorro:
“Sete Reais”.
Ela ainda me olhou nos olhos antes de sair. Agradeceu. Desceu do táxi. Encontrei no banco de trás uma carta. Nela, ela dizia: “Querido filho, esta é a última vez que terá meus beijos apenas em carta. Estou indo ao seu encontro. Me espere. Mamãe.”
Hoje, vinte e oito anos depois, ainda lembro dela, do seu cheiro, dos seus olhos e do seu batom cor-de-rosa. O tempo congelou no instante do nosso olhar. Depois disso nunca mais a vi.

Monday, August 22, 2005

AS CARTAS DELE



As cartas dele
Que nao li
Nunca chegaram
Nao recebi.

Noticias distantes
Saudades
Nao como antes
Agora.

Oceanos e mares
Nuvens
Estrelas
As ruas, os bares
As praças vazias

A luz dos olhares
O sol e a praia
A vida longe
O sonho no ar

Um altar
Vazio
Solidao

Paixao perdida
Nao seca
A ferida
Arde por dentro

E sendo quem sou
Sem noticias dele

Escrevo pra ele
Pra alguém
Que pensei
Me amou.

O SEGUNDO DE CIMA PRA BAIXO



Todas as vezes que Lígia tomou grandes decisões, eu estava por perto. Lembro muito bem daquela reunião importante em que contratos de igual importância foram assinados. Ela estava deslumbrante e ao mesmo tempo muito séria. Pelo formato que suas sobrancelhas adquiriram, logo pude perceber o quanto à situação era delicada: ou ela concordava e assinava os papéis ou a proposta seria passada para sua empresa rival.
Ainda lembro o dia em que Lígia acordou aos prantos depois de um pesadelo sem fim. Ela usava uma velha camiseta pra dormir. Seu rosto estava inchado e seus olhos bem abertos sem ter noção da realidade. Olhou pro relógio digital e levantou correndo. Estava atrasada pro trabalho. Vestiu-se rapidamente. Nem tomou café. Saiu às pressas. Pude ainda perceber as gotículas de suor entre seus seios.
Numa outra ocasião, em que estava voltando pra casa, Lígia precisou tomar um táxi, pois seu carro estava na oficina. Teve de parar na calçada, esticar o braço direito esperando que algum taxista apressado parasse o carro e a deixasse entrar. Finalmente um motorista parou. Ele tinha um jeito estranho de olhar. Como Lígia estava exausta, nem se deu conta quando o tal motorista ajeitou o retrovisor numa posição estratégica: estava de olho no seu decote. Acho que, além dele, só eu percebi o olhar devorador.
Sempre estou por perto quando ela está nervosa. Era sexta-feira, quase fim de semana, e Lígia lendo uma revista velha na sala de espera do dentista. Pude perceber pelas suas palpitações que ela estava muito ansiosa. Não sei se por causa da anestesia ou da extração do último siso, mas pelo movimento de ar, entrando e saindo dos pulmões, dava pra imaginar o que estava passando em sua mente. Quando a secretária chamou seu nome, quase teve um colapso nervoso.
Na noite do seu primeiro encontro com um novo affair, Lígia caprichou. Colocou seu melhor perfume, acho até que era estrangeiro. Um odor embriagante que transformaria qualquer mortal numa nuvem de ar fresco. Sublime em seus olhos azuis, ela passou o rímel preto e mostrou seu melhor sorriso pro espelho do banheiro. Este encontro promete, talvez tivesse pensado. Quem me dera pudesse ter o dom de ler seus pensamentos mais secretos.
Quando a campainha tocou, antes mesmo de abrir a porta, Lígia já havia suspirado três vezes. A noite esquentou ainda mais no final da garrafa de vinho branco, que pude ouvir deslizar pela garganta de Lígia. Voltei a minha insignificância enquanto ambos faziam coisas normais para um par de seres envolvidos emocionalmente. Não nego que tenha sentido uma ponta de inveja. E as horas transcorreram enquanto dois corpos enroscados jaziam na cama de Lígia.
Ela sempre foi uma mulher decidida e nunca pensou por mais de um segundo se deveria ou não ajudar alguém. Foi assim também quando sua melhor amiga precisou de dinheiro pra pagar o aluguel atrasado do apartamento. Lígia nem se deu ao trabalho de colocar o valor no cheque, apenas assinou e entregou-o a amiga. Paga-me quando puder, ela disse. E neste momento pude sentir que o coração de Lígia aumentava de tamanho e a sua vontade era de fazer com que todos se sentissem como ela: livre.
Se eu algum dia tivesse a chance de tê-la só pra mim, acho que seria o mesmo que sorver a última gota de mel numa boca amarga. Lígia é muito forte e seu sorriso é capaz de derrubar um muro de pedra. Não são todos que tem a oportunidade, quem sabe única, de acompanhar uma mulher como Lígia. Ainda que ela nunca venha saber o bem que me fez neste período em que estivemos juntos, em que eu estive sempre por perto. Quase sempre.
Não é qualquer um que tem o privilégio de ser o segundo botão de cima para baixo na blusa preferida de Lígia. Sim, sou o segundo de cima para baixo, mas o primeiro, com muito orgulho, que fica mais perto do seu coração.
Quem poderá algum dia saber, melhor do que eu, o quanto é saboroso o cheiro dos seios de Lígia, a pele suave, o gosto de céu...

Sunday, August 21, 2005



Acho que eu deveria me punir por todo o tempo que passo pensando em ti.
O problema é que se ao menos eu conseguisse chegar a alguma conclusao, tudo seria + facil.
Mas como concluir alguma coisa que eu nem sei ao certo onde começou.
E se isso so for parte da minha imaginaçao?
E se todos os pensamentos de amor e duvida que deposito sobre teu corpo nao passarem de ilusoes?
De criaçoes de uma mente fertil.
Se tudo isso nao faz realmente parte do meu mundo imaginario.
Onde termina a fantasia e começa a realidade?
Amor cego é amor doente e isso eu nao desejo a ninguém.

Vida louca essa minha:rainha da ambiguidade.
Onde estou?
Pra onde vou?

Tenho claro certos pontos, o que ja é muito pra uma mente que funciona como a minha.
Basta agora coloca-los em pratica.
Sao 2 mundos que tem dificuldade em se ligarem.
A questao é:se a vida real é aqui ou la.
Se a vida é o prazer ou o sacrifio, a dor ou a saudade ou o vazio de um mundo rico em matéria morta.
Como sempre, nao deixo nunca de me perguntar.
Quais seriam as minhas verdades?
Qual o grau de importancia que voce tem na minha vida?
Sobre o amor que sinto, nao renuncio.
Mas sobre a utilidade deste amor é que crio conflitos.
E se esse amor for unilateral, o que posso fazer dele?
Deposita-lo num cofre e fecha-lo até o momento em que ele possa ser partilhado contigo.
Isso poderia levar uma eternidade!
Mas e dai, se somos seres eternos e etereos tudo passa num piscar de olhos.
Sim mas e a carne envelhecida, os ossos fracos, a boca despedaçada que deixou uma vida inteira passar sem ter os teus beijos de volta?

Que fazer de tudo isso?

Acho que a soluçao é continuar me questionando até o dia em que as duvidas evaporem com o ar quente que sai dos meus pulmoes.

Nanuka



Chegando a Gare de Lyon, escuto dos alto falantes aquela triste frase:
"Acidente grave com viajante em Maison Alfort".
Mais um coitado que nao aguentou a vida solitaria de Paris.
Tomara que o trem nao atrase. Estou em cima da hora.

Nao atrasou.

Entro ao mesmo tempo que um casal com 3 filhos. Pra onde sera que vai esta familia?
Pego um lugar espaçoso e vazio mas nao sou destruidora de lares: dou meu lugar pra que eles possam estar juntos no trem.
A viagem é rapida como sempre e faz um belo sabado de sol.
Na descida do trem ja escuto o alto falante de novo. Ele berra coisas sobre o acidente
Nem presto atençao. E’ tao triste quando a morte passa a ser um sujeito banal.

Sigo meu caminho e guardo a pequena esperança de que naquele dia o gato amarelo estara deitado na janela...
Ele esta la!
Nao sei explicar por que mas me causa uma alegria tao boa e simples. Toda vez que vejo o gatinho preguiçoso na janela, bate uma vontade de me deitar la também. Ele tem a grande vantagem de morar numa casa com vista panoramica. Ve todo o movimento que passa na rua. E caso queira interagir, desce rapido e vem se esfregar nas pernas da gente.
Mas esse dia ele nao desceu.

Me estiquei um pouco pra poder toca-lo. Um pelo fofo, e brilhante de sol. Vejo que a janela atras dele esta entre aberta. A cortina de renda como sempre. Percebo que desta vez ela balança.
Alguém me espiona. Nem me importo. So penso em tocar meu amuleto da sorte e ter um dia feliz.

A janela se abre e vejo uma velhinha com cara de lua cheia. Ela me sorri e diz que Nanuka é um gato de sorte. Quem dera ela ter a mesma vida.
Concordo.

A hora vai correndo + de pressa. O sol brilhando e ainda comento com ela que vida dura um sabado de sol e eu em frente ao computador.

Ela me consola:
"Mas pelo menos tem uma janela no escritorio, né?"

Bonne journée!
E continuo meu caminho.

Saturday, August 20, 2005



A tua filha, que ainda nao tive, espera por nos.
Meu ventre amplo, a carne da nossa carne.
Nosso sangue.
E se teu sangue percorre meu corpo, teu veneno nas minhas veias, teu mel entre minhas coxas.
E’ la, onde tudo começa e meses + tarde tudo termina.
Onde começa nossa felicidade.
Onde nosso futuro nasce e nao se perde +.
Nossa pequena nos espera.
Pronta num outro plano, esperando pra voltar.
Preciso do teu abraço, me consolar no teu corpo, acreditar que o amanha logo vai chegar.
Nossa pequena tem trançado o cabelo, o vestido leve que cobre os joelhos
Pés descalços e livres.
Ela sorri no teu colo e segura forte as tuas maos.
Ela é a vida que pedimos a Deus em nossas preces noturnas.
E’ o sorriso que vem pra aquecer noites frias de insonia.
Ela aprende contigo os contos, as fadas, os filmes antigos, a cor.
Ela desenha teu nome e o meu bem do lado e no meio uma pequena com flores nas maos.
Quero ensina-la a amar como eu amo mas é ela quem nos ensina a viver.

La Princesse de La Tour Maubourg



Até agora nao sei o que me impulsionou diretamente a ela. Meu trajeto de metro até o curso de ingles era sempre o mesmo. Vinte minutos de metro e eu ja estava la. Nas ultimas semanas de curso, somente que notei um homem, como tantos outros que passam a noite no metro, e seu cao. Simpatizei de cara com eles. Ja ouvi dizer que deve se desconfiar de quem nao gosta de animais. Ele pelo visto gostava. Mas entre todas as vezes em que o vi, sentado na estaçao, a vez que + me tocou foi quando ele repartiu seu sanduiche com o caozinho. Alias, ainda nao vi um cachorro de mendigo frances que fosse magro de ver os ossos. Tenho a impressao que o nivel de companheirismo entre um homem e um cao-mendigo, é tao alto que eles se nivelam.

Foi num sabado à tarde, voltando pela linha 8 do metro, direçao Balard. La estavam, homem e cao, sentados lado a lado. Quando o metro parou na estaçao La Tour Maubourg estava sentada exatamente em frente aos dois. Pela janela pude ver a amizade. Amigos na tristeza e na pobreza. Algo + forte do que eu me impulsionou. Quase desci na estaçao seguinte e voltei atras pra ve-los. Mas meu pensamento na hora foi + lento que a velocidade do metro.

Entao, saindo da estaçao, a caminho de casa, paro no supermercado pra comprar um pacote de raçao (pra cachorro !). Mas como eu poderia chegar pra um homem, que passa sua vida dormindo numa estaçao de metro, com apenas um pacote de raçao nas maos ? Seguindo um reflexo, aproveito e compro um litro de leite. Chego em casa me imaginando em plena segunda-feira , indo pro curso de ingles com livros, caneta, lapis, borracha, leite e raçao. Penultimo dia de curso. E quando desço do metro, procuro, procuro mas eles nao estao la. Quem sabe na quarta-feira.

Ultimo dia de curso. Teste de ingles. Levo livros, caneta, lapis, borracha e o pacote. Tudo num saco plastico branco. E que alegria nao sinto ao chegar na estaçao e encontar meus quase-amigos, do outro lado do cais. Tive que esperar passar o metro nos dois sentidos, so pra ter certeza de que eram realmente eles que estavam la. Subi rapido as escadas e corri pro outro lado do cais. Desta vez eles nao estavam sos. Havia uma mulher com uma lata de cerveja na mao e a cabeça num mundo a parte. Chego sem jeito e começo a converser com eles. O cao me olha sem entender nada. Abro a sacola plastica e tiro a garrafa de leite. Digo que tenho algo pro cao. Vejo o brilho nos olhos do homem quando lhe entrego o pacote de 1.5kg de raçao. Ele sorri. O cao agora nos olha. Ele agradece e mostra ao cao o pacote de raçao. Digo que preciso ir, afinal, uma prova de ingles me espera. Mas nao poderia partir sem antes perguntar o nome do caozinho. Ela se chama “Princesa” mas é melhor nao acaricia-la, ela pode nao gostar.

Deixo-os com um sorriso de boa-noite. E penso na princesa que reina sozinha na Tour Maubourg. Agora sei que os dois nao sao apenas companheiros. Ele guarda a torre e a princesa também.

Friday, August 19, 2005



Ela voltou pra casa + cedo aquele dia.
Nem percebeu que a caixa de cartas estava cheia.
Tantas contas e tantos compromissos, nem valeria a pena abri-la.
Toma as escadas em direçao ao 5°andar.
- Esse elevador sempre quebrado - pensa.

As janelas entreabertas, a luz atravessando o corredor e iluminando as escadas.
A chave girando dentro da porta.
O ranger das dobradiças enferrujadas.
Ela entra e deixa de fora todo o resto.
O dia tortuoso,
o trabalho entediante.
Que importa.
Começa tirando os sapatos, o relogio, presente de Natal de sua mae, as meias coloridas ja desbotadas.
Abre os botoes da blusa e joga a bolsa em cima da cadeira.

Em direçao a sala de banho.
Solta os cabelos e ao erguer os braços sente que seu corpo transpira.
Os seios rosados.
A torneira da banheira é aberta
e a agua corre quente.
O espelho começa a ficar embaçado.
Antes de fechar totalmente a porta,
um gato entra e se acomoda tranquilamente na tampa da cesta de roupas sujas.
Um cumplice de momentos tao intimos.

Toca com os dedos do pé a agua, quente demais pra ela.
Vira a torneira pro lado frio.
Mistura tudo.
Devagar vai entrando, o corpo umido, o vapor subindo, a tensao sendo aliviada.
Molha os cabelos, so as pontas e com a esponja derrama umas gotas no rosto.
O corpo arde e so o desejo a impediria de sair correndo agora.

Calma.
O banho esta quente, o ar umido.
O gato força com a pata a porta e sai.
A neblina cobre seus olhos.
O ar quente penetra seus pulmoes.
Uma rajada fria entre pela porta.
Um arrepio.
Os olhos se fecham.
O corpo parece flutuar em direçao a janela.
A torneira da pia pinga.
Eco.

Ela grita um nome.
Abre os olhos.
Levanta-se rapidamente.
Por um instante teve a impressao de que ele esteve la.


A grande questao é :

Quando ?

Quando estaremos juntos de novo ?

Quando vamos ter nosso tempo ?

Quando teremos nossa casa ?

Quando teremos nossa vida de volta ?

Quando nos dirao o caminho a seguir ?

Quando seremos um so ?

Quando te amarei de novo ?

Quando teremos nossos filhos ?

Quando trocaremos segredos, lagrimas e risos ?

Quando a vida vai tomar o bom rumo ?

Quando escutarei tua voz ?

Quando verei teu sorriso ?

Quando te terei em meus braços ?

Quando serei inteiramente tua ?

E até quando aguentarei essa solidao ?

Thursday, August 18, 2005

A Fada do Meu Fado



Faço de conta que nao existo
De preto, me visto
Num conto de fadas
Faço a rainha ma.
Pra que deixar que os fatos
Tomem conta do meu fado
Disfaço tudo
E recomeço.
Meço minhas palavras
Doces verdades
Mentiras salgadas.
Descasco as batatas pra sopa
Poçao magica pro sapo.
Sopro po dourado em teu rosto
Resta o resto
O que sobrou de ti.
Nao falo de magoas
De dores vencidas
Barrigas abertas
E braços ao vento.
Sem documento
Nao provo o que falo.
Me calo
Meus calos
Meu fado
O fato é que a fada partiu.

2003



E’ o 3° dia da greve de transporte. As pessoas estao cada vez + nervosas.

Paris funciona pela metade quando isso acontece.
Entro na estaçao Felix Faure. Um homem engravatado discute aos gritos com a moça do caixa. Que nao faz por menos e grita também. Algumas pessoas olham em direçao ao tunel, talvez esperando que assim o trem chegue + rapido.

Enquanto isso, tranquilamente do outro lado do cais um homem cola um novo outdoor. Sem pressa. Que diferença faz.

O homem engravatado decide esperar o metro também. Ele ainda esta nervoso, se ja nao bastasse o stress natural parisiense. Parece sairem faiscas do seu corpo.

Nao tem outro jeito.

Resta esperar.

15/05/2003

Wednesday, August 17, 2005

A Arvore dos Sonhos



Subo na macieira
Meus segredos
Conto estrelas
Ligas e quimeras
Quem dera
Estar em teus braços.
Agora o mar nos separa
O beijo a boca cala
Surge a lagrima sem fim.
O rosto intocado
Troco de roupa
Deixo a luz da cozinha acesa
Acendo meu corpo
E o copo de vinho na mesa
Labios borrados
Beijo salgado
Choro teu nome
Minha perda.
Faz frio na rua
Resto aqui sendo tua
Nua
Selvagem
Bobagem
Bobagens invadem o pensamento
Me ausento
Nao volto atras.

2003


Existem tantas coisas e tantos momentos que não são simples o suficiente pra explicar em palavras. Às vezes a razão nos transforma em seres estranhos, confundindo nossa alma e levando o coração a conflitos sem fim. Quando isso ocorre, nos perdemos dos nossos objetivos e deixamos o sonho escapar por entre os dedos...
Muitos dos meus sonhos foram deixados pra trás, mas nem por isso, em momento algum, eu deixei de sonhar. Alguns foram abandonados, outros renovados e novos sonhos surgiram depois. Mas um deles apareceu por acaso, nem sei dizer de onde veio ou onde vai parar. É por esse motivo que te escrevo sem razão e deixo as palavras fluírem do meu íntimo mais secreto. Quem sabe com isso, tu possas dar uma chance, não apenas a mim, mas a ti, o direito de tentar ser feliz.
Os sentimentos assustam. Eu sei. O que impede alguém de tocar a felicidade, e abraçá-la, é o medo. Porque mesmo as coisas boas e novas são desconhecidas pra nós. Isso assusta. Aí, é bem mais fácil fechar os olhos e só abri-los novamente num lugar mais seguro (ou quase): dentro de nós. A casquinha frágil que nos cobre parece proteger, mas na verdade só omite parte daquilo que realmente somos.
De volta aos sonhos, hoje li algo que caiu sem querer nas minhas mãos. É a história de uma jovem inglesa que viveu no século passado. Seu nome é Elizabeth Barret Browning.
“Ela sofria de uma séria doença, provavelmente resultado de um ferimento na espinha. Devido a sua saúde debilitada, vivia reclusa, tornando-se cada vez mais introvertida. Depois da publicação de seu segundo livro, ela recebeu uma carta do poeta Robert Browning (ela considerava-o o máximo). Nesta carta lia-se: ‘Amo esses versos com todo o meu coração - e também a amo’. O namoro dos dois transcorreu em segredo, pois seu pai não queria que seus filhos casassem. Ela também relutava, não queria impor a nenhum homem a vida ao lado de uma mulher doente. Finalmente, ela decidiu aceitá-lo e, uma semana após a cerimônia, realizada as escondidas no dia 12 de setembro de 1846, os dois fugiram para a Itália, onde viveram por quinze anos momentos de felicidade.
Ela começou a escrever sonetos por aquela época (logo após a primeira carta dele). É provável que a maioria dos sonetos fosse dedicada a ele. São extremamente íntimos e expressa a melancolia de Elizabeth antes de Robert acontecer em sua vida; sua preocupação com as possíveis incompatibilidades; sua dúvida sobre o merecimento de tão profundo amor; sua hesitação sobre se seu amor estaria a altura do dele; e enfim, sua aceitação do amor ofertado.
O penúltimo soneto (eram quarenta e quatro ao todo), é um dos mais líricos, complementado pelo desfecho no qual oferece ao amado os seus poemas, na esperança de compensá-lo pelo amor que a ela dedicava “.


SONETO XLIII

Como hei de amar-te? Deixai-me dizer.
Eu te amarei com toda a dimensão
Que alcance minha alma se não ver-te
Até o fim do Ser e da Beleza.
Eu te amarei na calma da rotina
Da luz da vela ao sol de todo dia.
Ou como os homens lutam por direitos.
Ou puros como acatam elogios.
Eu te amarei assim desta paixão
Das velhas mágoas ou da fé de infância.
Eu te amarei do amor que achei perdido.
- Eu te amarei com lágrimas e risos
Por toda a minha vida. - E, Deus querendo,
Após a morte hei de amar-te mais ainda.


Poderia ter escrito isso com minhas próprias palavras mas não saberia dizê-lo tão bem quanto já foi dito. Sinto-me tão enferma quanto ela. Inválida por não tê-lo no meu coração.

De quem tenta te ajudar
dando-te todo o meu amor

JULIANA 28-05-98

Tuesday, August 16, 2005



Solto meu verbo
Em folhas soltas
Prontas
Pra nao + voltar.
Meto os pés em estradas tortas
Rotas
Caminho sem direçao.
Muralhas de pedra
Falhas
Migalhas
Que ele deixou.
Sigo sozinha
E acanhada
Nada
+ me prende aqui.
Fui um dia
Tua
Nua
Louca
Insana, bobagem.
E beijos teus versos
Agora
Meu corpo fora
De rumo.
Vou desaparecendo
Aos poucos
Versos roucos
Parti.