Friday, September 30, 2005

Filtro Cinza

Decisao de sexta-feira: vou tirar esse filtro cinza que vem cobrindo meus olhos ha tanto tempo.
Entao é isso. Saio na rua a partir de agora com novos olhos.
Quero um outro olhar pra poder descobrir o doce que ainda resta em mim.
Respiro fundo e mergulho nesta nova vida que me espera.
Sem pressa...Paciencia sempre foi e sempre sera virtude.
Vou dormir bem essa noite.
Com a certeza de ter feito o melhor que pude por mim mesma.

Saturday, September 24, 2005

Faxina

Dai a gente acorda um dia e se da conta de que nao é o mundo que ta girando pro lado errado, somos nos que estamos um pouquinho perdidos.
E por que nao aceitar a ajuda que recebemos? Especialmente se essa ajuda vem do outro lado.
Ai se aceita o conselho e segue em frente.
Hoje abri meu coraçao.
Ainda outra vez contei ao mundo minha triste historia.
Se a coisa continuar desse jeito, vai acabar virando comedia.
Desabafo é coisa seria mesmo. Eu nem me importo + em contar. Acho que ta na hora de comprar um daqueles gravadorzinhos, pra carregar na bolsa. E ai, se alguém realmente se interessa em saber como tudo aconteceu, é so apertar o botao que a fita toca.
Meus fantasmas, deixo todos eles por aqui. Juro que voltarei pra casa sem nenhum.
Xô bagagem pesada!!

Saturday, September 17, 2005

Libertaçao

Cortei minhas amarras hoje.
Abri minhas asas e voei de novo.
Devolvi todo o meu passado numa sacola de papelao branca.
Fim.
Agora eu quero um pouco de paz pra um espirito tao triste como o meu.
Quero acreditar de novo que a vida me trara boas surpresas.
Minha caminhada foi longa, sim.
Nao pude deixar muitas vezes de olhar pra tras.
Mas a partir deste momento, um novo recomeço.
Vou deixar cicatrizar esta velha ferida.
Finalmente.
Antes utilizar meu precioso tempo pra cortar essas cordas nos meus punhos
do que voltar de novo com excesso de bagagem.

Sunday, September 11, 2005

Sera que ainda voltarei por aqui?

Porque a gente ainda guarda na memoria aquele gostinho da ultima vez.
E quando volta, volta pensando que tudo vai estar igual, continuar te esperando no mesmo lugar.
E se esquece que as vezes as coisas desbotam e que nada dura tanto assim quanto pensamos.
E ai vem a duvida de se vale a pena ou nao vir aqui de novo
e continuar abrindo meu coraçao desse jeito
e expondo ao mundo as minhas feridas + profundas.
Bom, tenho ainda um pouco + de 4 semanas pra refletir.
Quem sabe a resposta apareça no meio dos velhos e mofados apartamentos dessa cidade baixa...

Monday, September 05, 2005

O CONTADOR DE HISTORIAS



Conheci, faz tempo, um homem. Olhar desconfiado. Sorriso timido. Maos fortes e sensiveis. Questionador, sonhador. Um tanto revoltado. Entre tantos outros adjetivos, um homem bom. Um coraçao escondido. Uma vontade firme. Este homem, nao poderia ser outro senao um contador de historias. Um tradutor de sonhos. Um aventureiro de estrelas. Um desbravador de vontades. E sendo um contador, era também um sabio. Mesmo se às vezes se sentisse diminuido e miseravel. O que nao era verdade. Claro que ele escondia tudo isso, muitas vezes, atras de um orgulho descarado. Vestia sua mascara de homem mau. Preferia ser o bandido do que o bonzinho da historia. Queria que as pessoas acreditassem em sua furia e mistério. Desejava ardentemente usar suas habeis maos e seu cérebro veloz para escrever contos. Queria muito por pra fora toda a sua historia. Bem escondida em tantas metaforas.

Mas um dia esse contador caiu nas graças, ou poderia dizer, nas garras, de uma certa moça. E ela era tudo o que ele nunca idealizou numa mulher. Talvez ela fosse mesmo o oposto de seus desejos de homem.

Onde o destino poderia armar uma peça dessas pra ele? Colocar no seu caminho uma mulher assim : racional, louca, insana, intensa, instavel e outros ins- por ai a fora. E nao é que a tal conseguiu mesmo causar estrago!

Ai o contador de historias perdeu o rumo. Mergulhou no fundo do poço, afundou, afundou. Perdeu o chao dos seus pés. Amaldiçoou a nao poder mais todas as mulheres do mundo (excluindo sua mae, é claro) mas especialmente aquela que apareceu pra torturar seu coraçao de contador. Sem rumo, sem luz, sem saida. O homem caiu na vida. Ou melhor, nos braços da talzinha aquela. Bebeu e fumou todas as palavras que ela dizia, incluindo ai algumas outras. E recheou seu coraçao de magoas e angustias. Ficou doido. Queria muito a tal mulher mas ao mesmo tempo temia por sua propria sanidade mental. Pela primeira vez teve medo e faltou força pra arriscar. Logo ele, um homem tao destemido, agora lutava com um sentimento tao forte. E toda sua força nao foi suficiente pra escapar da magia desta feiticeira. Mulher ma. Rainha das suas insonias e noites brancas. Aqueles olhos azuis-gato nao poderiam ter arrumado melhor escravo. Ter causado maior estrago. Perda total.

E o contador se afogou num pranto. Fugiu dela. Jogou sua vida pra dentro dos livros. Gastou tintas e tintas, grafite, canetas, lapis e papel. Muito papel. Mesmo assim, jamais pode escrever uma linha sequer que tratasse dela. Maldiçao na sua carne. E ele foi embora. Nem quis recolher o que restou dela. Transformou sua propria dor em produçao. Virou uma maquina de escrever historias.

Ele continuou sonhando, sim. Trabalhando muito, sim. Estudando, sim.

E de tempos em tempos, ainda sofre a obsessao da bruxa. Ela tenta invadir os seus sonhos, as suas historias, os seus emails. Mas como um rochedo, inabalavel, o contador segue. Sem jamais olhar pra tras.

E se um dia a vida fizer outra ironia dessas com ele, quem sabe ele respire fundo, tome coragem e nos conte toda essa historia.

Quanto a fada ma, esta continua. E a pobre ainda acredita que o contador de historias voltara pros seus sonhos.

A criatura ainda acredita no amor do seu criador.

Sunday, September 04, 2005

(inspiraçao livre de um sonho)



O peso nos meus ombros é tamanho que nao consigo me manter em pé. Os olhos piscam lentamente e as lagrimas chamam um nome. E este nome, hoje proibido em meus labios, corre com as aguas, vertente de dor. O silencio inesperado, corta ao meio a minha respiraçao. Tenho outro nome tatuado em meu braço esquerdo que nao é o teu. Marley. Letras pretas e desbotadas. Vejo agulhas que insistem em cair. Tento pega-las e furo meus dedos. O que quero dizer que digam pra mim. Eu nao sei. Teu olhar nesta cidade é o espelho de um passado que nunca morreu. E nesse tempo em que nao possui o teu corpo, com minha boca gelada e maos tremulas, nao pude escrever. Que sao sorrisos se nao a sombra do que fomos? Se seremos ainda, quem podera nos dizer? Nao espero nada, apenas empurro os dias com meu ventre. Dentro dele um eco distante chama por aqui que tanto sonhamos. Qual o valor de tudo isso? Se eu tivesse a chance de começar de novo, seria sem pressa, com + açucar e menos sal. Porque de salgadas ja me chegam as lagrimas que continuam silenciosas esperando por nos. Quem um dia escrevera nossa historia? E se for realmente escrita, quem lera? O frio do meu corpo, o bico do seio enrugado, o sangue entre as pernas, o vazio. Entre tantos tesouros que cobrem meu corpo, sou a + miseravel das criaturas. Ouro, diamante ou pérolas, a velha Europa mal se levanta quando eu chego e o calor de minha terra esta tao longe... Durmo e fujo, te encontro nas gondolas de Veneza. Te faço promessas e rasgo minhas sedas. Brinco com os pelos da tua barba. Meus dedos nos teus labios secos. Meus olhos umidos. Meu coraçao na guilhotina. Em quantas fogueiras ja queimei ou fui queimada? Em quantos pedaços ja cortei meus irmaos? Em que lingua vou falar agora? E amanha? Tenho duvidas de sobra, sao quilos a + que pesam nas minhas ilusoes. Sou bicho ferido e medroso. Torço os dedos, arrepio os cabelos. Meu amor foi embora? E dai? Se ele esta dentro de mim, nao pode ir assim tao longe. Meu corpo é po e o vento me afasta de ti. Sopro teu rosto e nao tenho + os teus retratos. Nem preciso. Tudo que tenho esta agora contigo. Nao peço perdao a Deus mas sei que deveria. Quantas vezes ainda o fado vai nos afastar? Quantos sapos coloridos e escuros vai engolir antes de devorar o certo? E se um dia ouvi os sinos das igrejas e acreditei que as fadas brincassem nos meus cabelos, foi porque te esperei. Hoje procuro a receita, o remedio certo pra curar minha dor. E quanto + me aproximo da verdade, + ela foge de mim. Minhas pernas tao fracas, o corpo sem o alimento e a alma sem teu nome. Por que voce partiu? E quantas vezes ainda partira o que sobrou de mim? Meus cacos Meu Caco Minhas saudades minhas esperanças.

Deus onde estara minha fé neste momento?


Hoje acordei florida
Sorrindo lirios e margaridas
Beijando rosas
Piscando violetas.
Abraços de hera
Maos de magnolia.
Passos de geranios.
Tudo sao flores
Sao delirios de primavera.
E’ sempre assim quando se ama
E quando se é amado entao,
E’ uma piscina colorida.
Um carnaval de perfumes
Do polen ao néctar.
Sentir as pétalas do teu corpo.
O caule que me penetra.

Saturday, September 03, 2005



Eu morri sem teus beijos
Parti sem eles
Peguei um aviao pra Roma
Mas meu coraçao tinha outro destino
Amor

Morri sem teus beijos
Meus labios secos
Desertos sem luz.
Vida vazia
Plena por fora
Eco por dentro.

Morri sem teus beijos
Flores perfumadas
Na minha boca.
Halito divino
Que ousei um dia sorver
Parti pra nao + voltar
Solitaria na multidao
Tranquila, serena
O sereno no rosto

Morri sem teus beijos
Como em tantas outras
Noites atras.
Agora é sem volta
Nao tenho bagagens
Esperanças desfeitas
Peito partido
Embarque imediato.
E o mar,
Testemunha ocular do meu crime,
Nada disse.
Calou as minhas magoas
As estrelas se quisessem
Diriam
Mas o silencio impera em nos.
Foste o senhor das minhas vontades
O dono do mundo
O meu.
Fui tua sem pressa
Deixei-me levar
Teu riso facil
Meu pranto azul

Morri sem teus beijos
E dai?
Quem poderia se interessar?
Morri so
E apaguei com a noite
Nao deixo sombra
Sem heranças
Sem herdeiros
Entrego-me hoje
A ninguém +
Porque parti sozinha
E no meio do caminho

Morri sem teus beijos
O tempo se foi
Nosso tempo.

Um Email de Natal



Paris acordou cinza e umida hoje.
Nada muito diferente dos outros dias.
Ela se levanta sempre assim,
esperando que o sol saia de tras das nuvens e brilhe so um pouquinho
pra que ela possa sorrir.

As pessoas passam sempre apressadas e o tempo passa lento.
Paris sofre a lentidao das horas, das semanas, dos meses, dos anos.
Paris envelhece sem ver o sol brilhar de novo.
Chora escondida e acredita que ainda tem chance de sorrir.
Mas quando? Como? Quem?
O tempo nao tem perdoado
e as ruas escuras escondem segredos muito bem guardados.

As cartas que nao chegam
as noticias que nao vem...
Paris dorme so,
isso quando consegue dormir.

Onde esta o sol?
Ela pensa.
Ela chama, chama, chama, grita.
Ele nao vem.
Entao Paris acha que o fim esta proximo
que as lagrimas derramadas pelas ruas frias foram em vao.
Paris fecha seus olhos pro mundo.
Vive de sonhos, ilusoes.
As luzes de Natal enfeitam as ruas,
os marionetes que dançam nas vitrines,
a neve que derrete nos pés dos passantes.

Paris é isso.
Um sonho, uma imagem no espelho que envelhece a cada dia um pouco +.
Ela esquece que o sol ja brilhou tantas vezes
e que suas passagens secretas foram iluminadas.

Paris derrama as ultimas lagrimas e vai dormir.
Volta ao mundo da fantasia:
vestidos lindos, asas de anjo, glamour, magia.

Paris quer esquecer tudo
e se pergunta mais uma vez:

Por onde andara o sol?

Friday, September 02, 2005



Eu deveria estar ai agora
Do teu lado
Rosto colado no teu
Boca na boca
Sono profundo
Sonhos contigo
Quero muito
O que faço?
Pego o primeiro aviao
Chego cedo
Sem bagagens
Apenas esperança.
E se o recomeço é dificil,
Faz parte
E’ assim que a vida funciona.
Choro
E quando volto a sorrir
E’ so pra dizer que te amo.
Tudo + é passado
O rosto descontrai
A boca entreaberta
Um novo beijo
O desejo de estar contigo
E’ tao forte
Teu pensamento me chama.
Nao resisto
E vou
Pra nao voltar +.


Parei de escrever quando me afastei de ti. Achei que doeria menos se parasse. Volto agora porque so escrevo pra ti. Te entrego a minha vida nessas linhas. Quero vida, nao quero morte. Sei que somos eternos. Me apavoro com a tua frieza e sinto medo. Medo que teu odio por mim seja + forte que teu amor.

So tenho amor pra te dar e isso nao é nenhuma novidade. Se amar sozinha me basta. Do que + preciso? Te ver bem me satisfaz. E se esse bem for longe dos meus olhos e do meu corpo, nao tenho escolha. Preciso aceitar.

Acho que te magoo todos os dias que respiro teu nome. Obsessao que mata. Nao quero teu amor como meu opio. Quero a cabeça no lugar. Preciso de um amor pensado que me impeça de fazer bobagens. Quero estar contigo mas tenho duvidas que torturam meu coraçao : sera certo partir agora ? Por que espero tanto pra ir ? E se for tarde demais ? Hoje ele ainda me quer ? E amanha ? Sera que seremos suficientemente fortes pra suportar tudo isso ? Sera que ele quer envelhecer do meu lado ou diz isso da boca pra fora?

Duvidas. Milhoes de duvidas. Como um carrasco que me persegue. Fujo. Corro. Nao saio do lugar. Duvidas. Sera que ele realmente me ama ou apenas pensa que me ama?

Meu Amor, nao me obrigue a deixa-lo. Sou uma metade sem teu inteiro. Sou vento que carrega poeira, que ofusca estrelas, que se afoga no mar.

Amor, Meu Amor. Teu nome nao me deixa. Lavo, esfrego, rasgo, corto, quebro o que ainda resta. Mas ele nao sai de la.

Tuas cartas despertam meus sonhos. Amo teu corpo e tua mente. Me excito com teu cérebro, teus pensamentos rapidos. Teu humor.

Nao sou nem quero ser a + bonita, a + gostosa, a + inteligente. Quero ser simplesmente aquela de uma unica certeza : te amar sempre e sempre, e sempre.

Thursday, September 01, 2005



Estou tentando exorcizar meus fantasmas.
Relendo tuas cartas, procurando antigos emails, vendo tuas fotos, ouvindo teus cds.
Quero me testar e ver se nao doi + como antes doia.
Lembrar de nossos momentos e de nossas noites que dormimos abraçados.
Como é bom conversar contigo.
Como eu gosto de tocar teu rosto, beijar teus labios e me perder neles.
Adoro teu cheiro na minha pele.
E quando ouço tua voz no meu ouvido, arrepio.
Por isso tiro o mofo do nosso passsado, jogo fora as coisas tristes.
Deixo que o presente e futuro nos embale.
Quero seguir teu corpo.
Meu corpo no ritmo do teu.
Te-lo + e + perto de mim.
Dentro de mim.


Tua distancia me inquieta. Te sinto cada vez + longe, cada vez + frio.
Sera essa a forma que voce encontrou de se proteger ? O que te assusta tanto ? Nao é suficiente pra voce saber que te amo ? Se nao. Entao perco meu tempo e gasto minhas lagrimas a toa.

Sem teu riso, nao posso continuar. Onde vamos parar ? Sera mesmo que devemos parar? E o que farei de todo esse amor que tenho guardado pra ti ?

Amor, Meu Grande Amor. Os beijos + doces foram a ti reservados. As caricias e os melhores sonhos em ti depositados. O futuro do teu lado, nossos filhos, nossa velhice unida. Quero terminar meus dias do teu lado. Nao me abandone agora. Se nao me queres, diga logo. Acabe de uma vez comigo e deixe que eu mingue solitaria e fria. Mas por favor nao me torture +. Uma so punhalada, direto no coraçao e tudo estara acabado.

Se nao me queres +, ao menos me devolva a minha liberdade de sofrer em silencio, de chorar escondido. De partir te querendo + e +.
Sofro. Por que nao ? E o que resta de mim o vento leva cada vez + longe de ti.

Agora é pra sempre. Levo meu coraçao ecoando teu nome. Levo a boca palida. Os olhos fundos.

Nem um so abraço pra consolar.