Friday, December 30, 2005

In Dreams



Sabe de uma coisa?
Essa de viver vida dupla as vezes da medo.

Como ontem a noite em que comecei com meus sonhos cor-de-rosa, tao lindos e placidos...
E da metade da noite em diante, sendo perseguida por jovens arabes da periferia que vendem carne moida no espeto e que comem comida gordurosa!
Roubaram até minha identidade francesa em que consta meu endereço.

Acordei com medo, juro!
Cada uma que me acontece no meio da noite.

E volto entao pra segunda parte da vida de agente duplo: o dia!
Olho pela janela, pelos furinhos da persiana ainda fechada.
Tudo é cinza.
Quase noite.
Isso porque ja sao 9 horas da manha!
E ouço um barulho na sala, que certamente nao sao as gatas.

Pensei que ainda estava sonhando e tive medo.
Medo que os bandidos do sonho tivessem vindo fazer visita surpresa numa manha fria de dezembro.
Que nada!

Fiz uma prece antes de acender a luz.

Vejo apenas um braço se aproximando da porta do quarto (que ainda estava aberta).
Um braço de mulher que fecha a porta.
Em baixo da cobertas, viro a cabeça pro lado e tento esconder uma gargalhada.

A faxineira nao queria me acordar com o aspirador de po!

Thursday, December 15, 2005

A Grama do Vizinho



Sabe aquela frasezinha sabia de Vo que diz que a grama do vizinho é sempre + verdinha do que a nossa?

Pois é, eu nao tenho tido muito tempo pra invejar o gramado e as flores dos meus.
Porque eu sempre fui de achar que o jardim deles era + florido, que as roupas no varal eram + coloridas e que o cheiro do bolo quentinho no forno eram melhores do que as coisas que eu tinha em casa.

Sempre os outros, sempre +, sempre melhor do outro lado da cerquinha.
E eu aqui comendo as unhas e tentando imaginnar o por que da vida dos meus carissimos vizinhos ser + bela do que a minha....

E assim fui deixando o tempo passar.

Nao reguei meu jardim, nao tirei a roupa do varal, nao desliguei o forno.
Minhas flores secaram, minha roupa desbotou e meu bolo foi cremado...

Ainda assim eu continuava acreditando na vida perfeita dos outros.
Deixando que o mundo girasse bem + rapido la fora
enquanto eu aqui dentro reclamando pros meus botoes.
Ai o capim cresceu...
o vento levou as petalas embora e a forma de bolo furou.

Decidi ir me embora... pra bem longe de mim mesma.
Achei, profundamente decepcionada + tarde, que o oceano seria bem + azul do lado de ca.
E sabe o que descobri?

Que sinto uma grande falta das minhas mudinhas de violetas espalhadas pelo parapeito da janela da area de serviço.
Que minhas roupas velhas e com etiquetas arrancadas, pra esconder o nome da loja cafona onde as comprei, me fazem falta.
E que meu bolo de chocolate em po nao era dos piores.

Ai! Me olho agora no espelho e vejo uma outra qualquer.
Quem sera essa ai que anda + ranzinza do que nunca?
Que agora so quer ficar perto da estufinha nos dias frios
e que sente falta da cadeira de balanço da Vo e das tardes de cha em familia?

Por incrivel que pareça, esta ainda continua sendo eu!
Desculpem se decepciono a plateia mas agora ja era.

Deixo a nostalgia de lado e me lembro que a maquina de lavar roupas me espera, cheia de blusoes e meias de la pra estender.
La vou eu de novo!

C'est la vie...

Monday, December 05, 2005

Pollyanna



Chame-me de infantil, brega ou naive.
Nao importa.
Decidi ler Pollyanna de novo.

Foram + de 20 longos anos longe dela e do Jogo do Contente.
Assumo que agora gosto + do que gostava aos 9 anos.
Vejo-a com outros olhos, muito melhor.
E acho que nao me identifico com seu jeitinho, bem gostaria.
Mas estou em cada adulto mal humorado que passa pelo caminho dela.
Juro que mudo.
Mas ainda nao sei quando.

Quero voltar a ter as minhas sardinhas no rosto e nao ter vergonha das minhas pernas finas.
Quero rir de novo quando alguém me chamar de Olivia Palito ou de Mosquito da Dengue quando ando na minha mobilete preta com um capacete gigante enfiado na cabeça.
Quero minhas canelas roxas e cheias de espinhos.
Os joelhos arranhados de tanto subir em arvores.
Quero roubar mangas e goiabas da casa dos vizinhos.
Subir nos telhados e quebrar algumas telhas.
Quero desenhar com giz de cera nas paredes
e lembrar o nome do meu primeiro amor.

Por que deixamos que Pollyanna adormeça em nos?
Por que nao acorda-la todos os dias e ver o mundo colorido?

Ta certo que Paris é cinza, poluida e que os parisienses nao sorriem.
Socorram-me!
Quero voltar a acreditar nos homens e nas mulheres também.
Pelo menos na natureza e nos animais ainda acredito.

Pollyanna nao é Bela Adormecida
E eu nao sou outra que uma imigrante falando frances com sotaque.
E dai?
Orgulho de ainda guardar um "tu" dentro do meu armario.

Pollyanna fui eu.
Nao +.

Quem sabe amanha de novo?