Friday, March 31, 2006

Um Dia de Sol



Yes, tem sol!!!
E por que nao?
Paris faz dessas surpresas as vezes.
E nem me importo se sei que daqui a pouco a chuva chega.
A primavera entrando em cena
e meu humor voltando a florir.

Ontem foram 2h de uma ligaçao internacional.
Conversas pra la de longas com a + francesa das cariocas que eu conheço.
Coisa boa amiga assim!
E olha, amigas de séculos, nao é todo dia que a gente encontra!

Ontem comecei a usar o spray anti-tartaro holistico e natureba, dum doutor indiano, na Gatha.
Chiquerrimo!
Veio pelo correio diretinho dos USA!
E digo que a Gatha tava se achando quando contei pra ela que o envelope pardo era em seu nome e tudo!

Todos sabem muito bem que minhas gatas sao stars!
Ja tem um quadro em tamanho natural, uma reportagem na TVCOM e varias fotos espalhadas pelo orkut dos amigos.
Minhas meninas sao assim:
ninguém resiste ao charme da dupla.

E pra auxiliar na inspiraçao dos meus escritos, nada como a Mia quentinha aqui no meu colinho.
Eu sou a rainha do cashemire de gato!
Tenho pelos até dentro dos olhos.
Sao meus bichos da sorte.
E que sorte a minha ter uma familia assim!

Hoje tem sol la fora e vou ao correio.
Enfrento fila de vovis e de babas africanas com seus carrinhos cheios de bebes.
Mando uma carta num envelope prateado.
Sim! A inspiraçao foi tanta que o envelope merecia ser no capricho.

Depois volto pro meu sofa fofinho, minhas almofadas
e continuo a devorar a biografia de Lewis Caroll ,
que ja me toma + de 3 semanas mas me leva longe....

A vida da voltas nao é mesmo?
Mas eu quero deixar aqui anotado:
um dia eu volto!

Friday, March 24, 2006

Uma Insonia Qualquer....


(recebi esta foto e achei fofa d+, por isso coloquei aqui)


Sim, eu também tenho direito de vez em quando.
E quem nao tem?
Uma insonia e uma noite ou uma meia-noite,
porque o pingo que dormi foi feito de pesadelos.
Nao riam ainda + desta criatura que sonha ser perseguida por sardinhas que saltam aos montes de dentro do congelador
e arrancam minhas ultimas esperanças de uma noite tranquila.

Entao me vejo em um apartamento estranho, no 16° andar,
onde calopsitas e salsichinhas douradas me pedem socorro.

Dentro da bolsa tem comida.
Nao deixo nada na geladeira porque quando nao estou em casa
ele entra aqui e poe veneno.
Ja tentou me matar antes
e a salsichinha Julie também.

E ela me oferece coca-cola, 2 bananas e 3 pacotes de bolachinha bio.
Tira um cigarro da carteira e pergunta se eu fumo.

Pede um taxi.
Diz pra eu ficar atenta e em caso de emergencia chamar o zelador.

Tranca a porta por fora
e me diz pra encostar a esteira de ginastica do lado de dentro, contra a porta.
Assim, caso voce va ao banheiro e ele tente entrar, voce vai ouvir o barulho.

De toda maneira, os salsichas vao latir e as calopsitas gritar.

Oraçoes aos montes!!!!!!

E no meio do tumulto, ouço miados do lado de fora do quarto.

Minhas gatas salva-vidas
me tirando do pesadelo.

Pela 1a vez na vida, agradeço a dupla por ter me tirado da cama antes das 6.

Monday, March 20, 2006

A Historia de Feio



Hoje, visitando sites sobre animais e protetores, encontrei uma historia que realmente me fez chorar.
Ultimamente, choro + por animais do que por humanos.

Por que, nestes ultimos tempos, vejo tantos humanos tao desumanos com os nossos irmaos animais e com o meio-ambiente?

A Historia de Feio, nao foi escrita por mim. Infelizmente nao sei de quem é a autoria.
Mas ela nos mostra o quanto somos inferiores em relaçao aos nossos amigos peludos.

A foto acima, foi feita num dia frio e ensolarado no cemitério de Montmartre, em Paris, onde existem coraçoes maravilhosos que vao todos os dias até la alimentar esses gatinhos abandonados.

Quem dera Feio tivesse tido uma chance assim.
Mas que nos sirva de liçao a sua historia:

"Todos no prédio de apartamentos onde eu morava sabiam quem era o Feio.
Feio era o gato vira-lata do bairro.
Feio adorava três coisas neste mundo: brigas, comer lixo e, digamos, amor.
A combinação destas três coisas adicionada à uma vida nas ruas tinham causado danos em Feio.
Para começar, ele só tinha um olho, e no lugar onde deveria estar o outro olho, havia um buraco fundo.

Ele também havia perdido a orelha do mesmo lado, e seu pé esquerdo parecia ter sido quebrado gravemente no passado, o osso curvara num ângulo estranho, fazendo com que ele sempre parecesse estar virando a esquina.
Feio havia perdido a cauda há muito tempo e restava apenas um toco grosso de cauda, que ele sempre girava e torcia.
Todos que viam Feio tinham a mesma reação:
- “Mas que gato feio!!”
As crianças eram alertadas para não tocarem nele.
Os adultos atiravam pedras nele, jogavam-lhe água com a mangueira para espantá-lo, enxotavam-no quando ele tentava entrar em suas casas, ou prensavam suas patas na porta quando ele insistia em entrar.
Feio sempre tinha a mesma reação.
Se você jogasse água nele com a mangueira, ele não saía do lugar, ficava ali sendo ensopado até que você desistisse.
Se você atirasse coisas nele, ele enroscava seu corpinho magricela aos seus pés, pedindo perdão.
Sempre que via crianças, ele surgia correndo, miando desesperadamente e esfregando a cabeça em todas as mãos, implorando por amor.
Quando eu o apanhava no colo, ele imediatamente começava a sugar minha blusa, orelhas, ou o que encontrasse pela frente.
Um dia, Feio quis dividir seu amor com os cachorros “huskies” do vizinho.
Eles não eram amistosos e Feio foi ferido gravemente.
Do meu apartamento, eu ouvi seus gritos e corri para tentar ajudá-lo.
Na hora em que cheguei onde ele estava caído, parecia que a triste vida de Feio estava se esvaindo...
Feio estava caído em uma poça, suas pernas traseiras e suas costas estavam totalmente disformes, um corte fundo na listra branca de seu pêlo atravessava seu peito.
Quando eu o apanhei e tentei levá-lo para casa, ele fungava e engasgava, podia senti-lo lutando para respirar.
“Acho que o estou machucando muito”, eu pensei.
Então, eu senti a sensação familiar de Feio chupando minha orelha, em meio à tamanha dor, sofrendo e obviamente morrendo,
Feio estava tentando sugar minha orelha.
Eu o puxei para perto de mim e ele esfregou a cabeça na palma da minha mão,
olhou-me com seu único olho dourado e começou a ronronar.
Mesmo sentindo tanta dor, aquele gatinho feio, cheio de cicatrizes de suas batalhas, estava pedindo um pouco de carinho, talvez alguma comiseração.
Naquele instante, achava que Feio era o gato mais lindo e adorável que eu já tinha visto.
Em nenhum momento, ele tentou me arranhar ou morder, nem mesmo tentou fugir de mim, ou rebelou-se de alguma maneira.
Feio apenas olhava para mim, confiando completamente que eu aliviaria sua dor.
Feio morreu em meus braços antes que eu entrasse em meu apartamento.
Eu me sentei e fiquei abraçada com ele por muito tempo, pensando sobre como este gato vira-lata deformado e coberto de cicatrizes havia mudado minha opinião sobre o que significava a genuína pureza de espírito e sobre como amar incondicionalmente.
Feio me ensinara mais sobre doação e compaixão do que qualquer ser humano.

E eu sempre lhe serei grata por isto.
Chegara a hora de eu seguir em frente e aprender a amar verdadeira e incondicionalmente.
Chegara a hora de dar meu amor para aqueles que me eram caros, mesmo que meus olhos nunca tivessem visto nenhum deles..
As pessoas acham mais fácil e mais prazeroso amar o belo, o perfeito, sem notarem que os feios, os tortos, os mancos, enfim os deformados sejam de corpos, mentes ou almas também podem e merecem ser amados. Se vocês pudessem avaliar ou sentir como é quente e gostoso o abraço de alguém feio e antipático, de alguém deformado e que foge às regras e padrões de beleza...
Se vocês se permitissem essa sensação, talvez entenderiam e veriam os tantos “gatos feios” que a vida lhes coloca diante dos seus olhos todos os dias e vocês se negam a enxergá-los...
Muitas pessoas querem ser influentes, querem acumular dinheiro, querem ser bem- sucedidas, queridas, simpáticas ou belas..


Quanto à mim, eu sempre tentarei ser como o Feio...
Passarei minha vida pedindo amor, esperando pelo seu carinho, contando com sua compreensão e pacientemente aguardando o dia de ser devorada pelos “Huskies’...

Se tiver sorte, terei alguém que me pegue no colo e me faça um carinho antes do meu último suspiro..

Neste mundo cheio de intolerâncias, devemos espalhar mais respeito aos demais seres viventes, sejam eles da mesma raça, mesma religião, mesma etnia que nós ou não, sejam feios ou bonitos aos nossos olhos tão desacostumados a ver, ou nossos ouvidos, que ainda não aprenderam a ouvir a real mensagem de DEUS."

Wednesday, March 15, 2006

Sardinhas & Outros Bichos



Ontem realmente foi o dia.
E que dia!

O que a gente nao faz por amor....
Um dia lindo, frio e ensolarado, em pleno inverno parisiense, ja que a primavera insiste em nao chegar.
Minha touca azul de tricot e florzinha na cabeça, meus oculos Made in VietNam na cara, casacao e botas.

9h35 da manha e eu ja na rua.
Feirinha na Rue St Charles todas as terças.
Tudo bem que a feirinha é simpatica.
Tudo bem que todas as vovis vestidas em seus casacos de pele, e de carrinho em punho, tem a mesma idéia de frequentar a feira no mesmo horario que eu.
Mas juro que cada vez que preciso passar por la, em frente a banca de peixes, é um sufoco.

Bom, o veterinario mandou comprar sardinha pra meninas.
Nao 2 sardinhas.
2 Kilos de sardinha!!!

Ai é que entra o drama do meu dia ensolarado.
Eu nunca comprei peixe fresco na vida.
E confesso que sou fresca quando o assunto foge das minhas convicçoes de vegetariana.

Entao la estou eu, com uma cara de sono, na fila da banca do peixe.
Sim, porque a banca do peixe tem fila!
Ainda + agora que as amigas penosas estao em baixa no mercado.
Sorte de uns, azar de outros.
A vaca-louca, a gripe das aves....

E bem atras de mim, na fila, uma dessas peruas de terça de manha, com seu casaco de pele basico, até o joelho.
E diga-se de passagem, os casacos de pele que frequentam a feira da rue St Charles sao, em grande maioria, verdadeiros.

E eu olhando pro lado oposto pra nao ver os pobres peixes mortos e algumas vieiras que ainda se mexiam, como fazendo um S.O.S pra que eu pudesse salva-las.
Mas salvar como?
Comprando-as e soltando-as aonde? No Sena?
Nao, isso é sadismo puro.
E eu masoquista e mae-gata me dou o trabalho e a coragem de enfrentar a banca do peixe!

Entao um pescador, ou peixeiro, ou sei la como se chama, me atende com um sorriso de metade de dentes dentro da boca.
Dentes podres, e ai lembro que o veterinario mandou cuidar também dos dentes da Gatha.
Ai, Deus! Que pesadelo essa terça!

Foi simpatico comigo, o peixeiro, o que ja ajuda a diminuir um pouco meu sentimento de culpa.
Pobres sardinhas!
- Quero 2 kilos!
E o peixeiro me sorri e eu peço explicaçoes:
- Como servir isso pras gatas?
- Facil! Meu gato come inteira! So deixa a cabeça e o rabo!

Meu alivio em saber que nao vou precisar limpar sardinhas!
Pego a sacola azul, com os bichinhos dentro, aqueles olhos parados de peixe-morto:
das sardinhas e os meus também!
E volto pra casa.
Onde 2 gatas sorridentes e sem nenhuma culpa, me esperam de olhos brilhantes e apetite felino.

Ainda preciso tocar nas sardinhas.
Deus, meu!
E ainda terei de fazer isso todos os dias dessa minha vida.
Eu mereço.
O amor fala + alto.
Eu faço isso por voces.
Coragem! Auto-coragem, me imponho.

E depois de servida as meninas, tento esquecer os meus atos.
Ligo a TV e encontro imagens de um peixinho dourado num aquario.
Mudo de canal e dou de cara com um prato de peixe.
Desligo a TV, decido ler.
Abro a revista e dou de cara com a receita:
De sardinhas!!!!
Sardinhas obsessoras, so me faltava essa.

E se nao bastasse ainda tenho um jantar hoje a noite.
Onde?
Um amigo propoe o restaurante...
de frutos do mar!!!!!

Ninguém ouse rir porque nao é piada.
E ainda por cima as paredes do restaurante sao cobertas de conchinhas.
Iguais aquelas que vi de manha na feira.
Igual aquela vieira me pedindo socorro.

Volto pra casa arrasada e dentro do metro sou obrigada a ver outra cena surreal.
Um homem-mendigo, que vem com aquele papo de desemprego e pede dinheiro.
O que seria uma situaçao corriqueira, ja que muitos deles passam pedindo com seus caes-pedintes do lado, me surpreende.
Nos braços, com ohar triste e desolado, sua cachorrinha:
gorda, bem alimentada, de coleira de madame com direito a plaquinha prateada de coraçaozinho com nome escrito.
Uma cadelinha da raça PUG, acreditem ou nao.
Eu quase nao acreditei!
Se nao bastassem as peruas na feira, ainda tenho que ver isso!
Sera que o cao era dele ou ele pegou emprestado?

Em Paris, tudo pode ser o que nao é...

Ah! As sardinhas?
O que sobrou delas nos pratinhos das gatas?
As cabeças!
Cada um perdendo a sua...

Monday, March 13, 2006

I'm a Model, and You?



Num domingo a noite, em frente a tv e fazendo tricot.
Sim, pra quem nao sabe, eu faço tricot!
(ou finjo saber fazer).

ZAP no controle remoto e caio direto num programa sobre a vida de modelo que começa na 3a idade.
Vozinhas e vozinhos com um ar super em forma que aumentam seus ganhos da aposentadoria posando pra anuncios publicitarios.
Mostrando pras lentes quem eles realmente sao.
Jovens de 70, 80 anos fazendo catalogos de moda, propaganda de turismo, e mesmo de cosmeticos.
E por que nao?

Se nos, os velhos de 20, 30 anos, nao paramos de reclamar porque uma micro-ruguinha apareceu no canto do olho direito
ou se a celulite ta + acentuada do que no verao passado...

E dai? Pergunto eu.
Quem de nos nao sabe que a idade chega pra todos?
Principalmente a idade mental.
Essa sim tem a capacidade de nos envelhecer + de 150 anos.
E nem precisamos ser George (a tartaruga + velha de Galapagos) pra saber que idade é muito + preocupante dentro da cabeça da gente.

Sim, faço tricot aos 30 e poucos
e as vezes me olhando nos espelhos da vida me vejo com uns 60.
E o que tem isso d+?
Tem que somos nos mesmos que nos deixamos envelhecer.
Quando guardamos preconceitos e pensamentos antiquados dentro da nossa cabecinha.

Quando vim pra França morar com um namorado, disse pra minha avo:

-Vo, to indo pra Paris morar com ele.

E sabem a resposta da Vozinha?

-Isso mesmo, vai morar junto. Nao te apressa em casar. Conhece bem ele primeiro pra depois ver se vale a pena casar ou nao.

Bom, sem comentarios sobre o desfecho...

E isso foi uma senhora de + de 70 anos falando.

Ja a minha mae, que tinha uma empresa de transporte e turismo pra 3a idade,
ou Melhor Idade, acompanhou uma vez um grupo numa danceteria.

Voces nao podem imaginar a surpresa e espanto dos jovens frequentadores no momento em que minha mae e seu grupo de clientes chegaram la.
Uma jovem (sera mesmo?) disse:

- Olha so! O que este bando de velhos esta fazendo aqui?!! - nem preciso dizer o sarcasmo da criatura.

Minha mae, na sua tranquilidade habitual, olhou pra tal menina e disse:

-Nao esquece que um dia voce vai chegar la!

E nos, sera que estamos realmente preparados pra chegar aos 80?
Acho que muitos, eu me incluindo, também, nem tenho certeza se estou preparada pros 35, 40 anos.

Bom, entao que este texto me sirva de liçao pra repensar minhas proprias atitudes e rejuvenescer meu espirito.
Antes tarde do que nunca.

*Esta foto ai de cima, é uma homenagem a um grande amigo que muito me ajudou nos momentos dificeis. François Omont .
Meu amigo do Titanic.
Mas esta é uma outra historia, pra um outro dia...

Tuesday, March 07, 2006

"Pra nao deixar passar..."



Sera que estou realmente curada desta estranha mania que tenho de te escrever?
Sera que passou a vontade de ficar horas sentada ao lado do telefone sem que ao menos ele toque?
Sera que a curiosidade de abrir a caixa de cartas varias vezes ao dia passou?
Sera que aquela musica ja nao faz o mesmo efeito no meu ritmo cardiaco?
Sera?

Sera que estou curada ou em fase de recuperaçao antes de uma outra recaida?
Veremos até o final da semana...
Enquanto isso, anoto meus sonhos no caderninho
(se bem que ainda te vejo por la, às vezes)
e sigo em frente.

De volta ao trabalho, que de vez em quando é bom.
De volta ao frio e a chuvinha chata.
De volta a vida real.

E volto a juntar minhas moedinhas no meu porquinho cor-de-rosa.
E quando setembro chegar...
Quem sabe?

Eu ainda nao sei.

Friday, March 03, 2006

O Pierro e a Colombina



Quarta-feira de cinzas e eu preparando as malas pra voltar pra casa.
Duas noites de 4 horas mal dormidas.
Festas bem aproveitadas.
Todos bebem Polar menos eu.

No saldo:
Temos 1 tapete queimado, 5 amigos fumados, 2 potes de sorvete abertos no feeezer e a caixa de suco de caju vazia.
O apartamento nao era meu mas o vizinho era!
Entao posso ir feliz arrumar as malas.

Meu excesso de peso sao os livros.
Posso ficar, mas eles irao!
Velhas fotos, muito velhas, me acompanham.
E minha nova paixao de verao (dupla paixao), o tricot e o crochet, me acompanham.
Entao chego quase atrasada ao aeroporto.
1h30 até Sao Paulo.
Uma troca de aeroportos, enfrentando folioes de ressaca e fantasias
e la vou eu pegar um onibus até Guarulhos.
Horas de espera, um cartao telefonico quase sem unidades e uma internet que nao funciona.
Ainda bem que Arnaldo Jabur me acompanhou com suas prosas e poesias.
La vou eu registrar a bagagem e escutar que minha mala verde é pesada d+ pra me acompanhar.

Ai passo a conversa no balcao de check-in e vou pra sala de embarque.

Sento ao lado de um frances e aproveito quando ele se levanta pra "roubar" sua Paris Match.
Me arrependo horrores de ler que na França ja tem gripe aviaria e que na Alemanha ja morreu um gato disso.
Pior ainda se Israel e Palestina decidirem se transferir pra periferia parisiense.

Embarco num aviao lotado e sento la no fundo.
Nunca vi tanta gente vulgar num so voo.
Nao sou esnobe mas achei que tava indo pro lado errado.

Ai descubro uma escala na Suissa, depois de Paris, é claro.
E vejo que atras de mim tem + gente estranha quando um casal começa a bater boca e se jogar na cara que o passaporte de suisso deles foi "comprado".
Quero sair correndo dali e resolvo desligar mas a conversa alta nas poltronas da frente me impede de meditar.
Duas meninas brasileiras contando as peripecias do carnaval.
E ainda sou obrigada a ouvir que uma delas se arrependeu de ter beijado o moto-boy antes de viajar e que era melhor ter ido "di a pé"...
Me poupem de detalhes, por favor!

E como se nao bastasse, os falsos suissos atras de mim resolvem brigar.
O cara xinga a namorada e o outro cara em alemao.
E quando o comissario chega pra acalmar a briga, a perua muda de lugar
(vestida num super top pink de algodao e paetes).
E o cara xingado diz pro outro se acalmar e passar a ser de Cristo.
Pronto! Descobri uma comunidade evangelica brasileira indo viajar em excursao.
Bem em volta do meu assento!
Quero sair correndo mas o aviao ja esta decolando.
Entao vejo braços erguidos, escuto uma oraçao também em alemao e o grito:

- Aleluia!!!!

Absolutamente nada contra culturas e religioes.
Tenho minha fé também e respeito a fé alheia.
Mas nao preciso gritar pro aviao todo escutar que eu sou do Cristo.

E pra nao dizer que so brasileiro briga em pleno voo,
sou obrigada a sentar lado a lado com um outro brigao, esse ai fala espanhol.
E brigou com um outro que xingava em ingles.
Sabem por que?
Porque o que fala ingles reclinou a poltrona e atrapalhou o espanhol que estava assistindo um filmezinho na tela individual.
Saco essa gente!
Fim de festa mesmo.
Ai o espanhol pega seu whiskynho e vem sentar do meu lado.
Enterrei meu nariz no livro do Arnaldo e assim fiquei até o jantar ser servido.

Fiz amizade com um dos comissarios e consegui derrubar minha escova de dentes no chao do banheiro.

O aviao pousa em solo frances (aplauso):

-Aleluia! Amén!

Voila um super retorno ao pais gelado e snob!

Aqui estou, depois do sol e calor,
o frio e a chuva.

Vive la France!!!