As vezes um ato bom seguido de um ruim podem anular-se.
Foi isso o que ocorreu aquele dia, em que resolveu pegar o trem rumo a periferia.
Sempre acostumada a seguir este caminho,
utilizando seu passe eletronico de metro que cobria as areas 1 e 2 mas nao alcançava o valor de area 4 onde se localiza o centro de interesse,
ela ja estava habituada.
Mesmo sabendo que a qualquer momento poderia ser interrogada por um controlador de tickts, ela se arriscou durante 4 anos.
E naqulea tarde, num horario considerado calmo,
ela pega o metro e na estaçao seguinte vem um cego entrar no mesmo vagao onde se encontra.
Nota também que os 2 descem na mesma estaçao e pegam a mesma direçao e trem.
Convida-o a acompanha-la.
Pede ao cego que segure seu braço e seguem uma boa conversa sobre amenidades.
Entre meteorologia e animais,
o cego diz que ela tem um sotaque simpatico.
Ela sorri mesmo ele nao vendo e continuam a conversa,
como 2 velhos amigos pondo assuntos em dia.
Atravessam a catraca eletronica e vao em direçao ao trem.
Ela, muito distraida, ve os controladores no vagao em que entram mas ainda assim acompanha o cego.
Sentam-se ao lado de um senhor com echarpe da Palestina no pescoço.
A conversa continua fluindo.
O apito soa e o trem parte.
Os controladores se aproximam e ela reza pra que nao perguntem pelo seu novo passe eletronico.
A alegria dura pouco.
Os 5 controladores se aproximam, pedem os passes de todos ali sentados:
dela, do cego e do homem de echarpe da Palestina.
A controladora, de cara amarrada, tipico disfarce dos controladores pra se fazer respeitar, pede seu passe.
Ela mostra.
A maquininha de controle de passe parece em pane.
Ela faz + uma fast-oraçao, na esperança que a maquina esteja estragada
e aquele trem cheio nao veja o vexame de estar com ticket insuficiente pra se chegar a area 4.
Varias tentativas depois e o olhar da controladora.
- Sua carta é area 1-2.
Voce tera que pagar 25 euros!
O cego tenta se justificar por ela.
O homem da echarpe da Palestina se exalta e pergunta pra controladora se ela nao ve que a acompanhate esta acompanhando o cego.
O cego cria desculpas esfarradas.
O vermelhao sobe ao rosto e a vontade de desaparecer é grande.
Nesta momento, toda a plateia acompanha de camarote.
O homem de echarpe da Palestina aumenta ainda + o tom de voz e manda a controladora se ocupar dos delinquentes que queimam carros e deixar a acompanhate do cego tranquila.
Em meio a tanta discussao, o celular da acompanhante toca e do outro lado da linha a amiga afobada dizendo que vai se atrasar pra reuniao.
A acompanhante tenta manter a calma e reduzir o vermelho da cara.
A conversa é dificultada pela discussao entre o homem da echarpe da Palestina, o cego e a controladora.
A acompanhante guarda o celular na bolsa mas entrega os 25 euros pra controladora,
antes que os animos fiquem ainda + quentes.
A controladora e os outros controladores partem pra outro vagao.
A plateia se acalma e vira os olhos e atençoes pra outras direçoes.
O cego tenta consolar a acompanhante e o homem da echarpe da Palestina ainda resmunga:
- Que pais é esse!
Que vergonha.
A acompanhante do cego se despede e diz que a sua estaçao é a proxima.
O cego inconsolavel agradece e espera ve-la(?) outras vezes neste mesmo trajeto.
Sorriso amarelo,
beijinhos no rosto do cego
um merci pro homem da echarpe da Palestina.
Ela desce do metro, cara vermelha, olhos molhados.
Foi a primeira e seria a ultima vez em que eles todos se encontrariam.
25 euros + pobre
Ela sabe que a caridade e a lei de Gerson nao combinam.
Fazer o que?
Voltar pra casa pagando um ticket completo!