Saturday, May 12, 2007

Os Peludos



Os meus, os teus, os nossos.
E os de ninguém?
Quem pensa neles?

Estamos nos tao ocupados em paparicar os nossos que esquecemos de tantos outros que encontramos pelas ruas, encolhidos nos cantinhos com olhares cheios de tristeza e desmparo.
Quantos deles precisando de nos?
E o que fazemos?
O que nao fazemos seria melhor perguntar.
Quando nossos irmaozinhos menores estao no frio, na chuva e no vento, de barriga vazia e olhos de esperança.
Sim, eles esperam e ainda acreditam que os homens possam ter um coraçao, um cantinho na garagem, um carinho, um olhar piedoso.

Os seres que estao ai, nao pra satisfazer nossos caprichos mas pra alegrar nosso coraçao com tamanha dedicaçao e fidelidade.
Posso falar pelas minhas que nunca me abandonaram nos meus momentos + dificeis.
Nunca desistiram de mim quando fui chata, pouco atenciosa ou distraida.
Nunca deixaram de me amar enquanto eu estive triste ou desanimada.

Quem dera nos humanos pudessemos ter um minimo de compaixao e pudessemos nos espelhar no que os animais nao-humanos nos ensinam.

Tuesday, May 01, 2007

Num Metro de Paris




Quem de mim tira o desejo de ama-lo?
Tenta, porém nada consegue.
Fere a ferida
Embora abalo
Rastro de sangue
Nao me calo.
Guardo as sombras da noite
Escuridao continua
Mingua o corpo
Soltando as virgulas
Deixando a sina
Vida sem rumo
Deitando a noite na tua cama fria.
Beijo-te o peito
Rastro de sangue
Doce pecado
Veneno ingrato
Rasgo tuas rendas
Perco as sementes
Desejo insano
Nao me calo.
Vago é o teu nome
Pecado incerto
Grito gelado
Rogo promessas
Nao me peças
Por verdades nao ditas
Palavras malditas
Saudades
Vontades
Abandono
Tua estrela
Meu luar
Partindo o peito
Deixando o leito
Derreto teu nome
Silabas soltas
Solto os cabelos
Calos nos pés
Sangue na carne
Dor de perder
Achar-te
Outra vez
Quere-te
Consumi-lo
Sonhos nao bastam
Fico a vontade
Pra segui-lo
Nao parto hoje
Mas amanha
Deixo-te a pensar
Sentir
Estou ainda a te amar
+ e +
E sempre o fogo
A queimar-me
O pranto
Olhos de dor
Ama-lo ao acaso
Teria sido diferente
Sim, teria
Ter me deixado
Seria pecado
Morte certa
Certeza de tudo
De deixa-lo assim
Longe do corpo
Proximo ao peito
Grito e silencio
Vontade e verdade.
Sempre que posso
Volto la
Pra ve-lo?
Nao sei
Senti-lo talvez
E a cada retorno
O contorno do corpo
Tornozelos a mostra
Teu nome
Outra vez.